quinta-feira, 24 de junho de 2010

Luto

23 de Junho de 2010. É essa a data. Um dia alegre em algum lugar do mundo, onde risadas infantis ecoam em ambientes mal iluminados e smurfs cantam a sua labuta... Talvez.  Mas não para Magda Fantonelle. Magda era uma nobre senhora, com seus já 65 anos de idade, mas com cara de 40 (o segredo, dizia, eram camadas generosas de protetor solar todos os dias). De vida pacata, viúva, filhos crescidos e muitos gatos, passava as tardes a tomar chá nas casas das amigas, jogando baralho, predizendo o futuro e fazendo doce de abóbora. Excelente criatura. Aos domingos, ajudava as crianças pobres da periferia de Petrópolis, dando aulas de música e invocando os mortos. Mas a sua candura não pôde fazer frente a isso. A pobre não teve voz, não teve espírito, não teve tempo. Foi tudo tão rápido e confuso que ainda é difícil perceber a falta que faz. Não dá para entender.  Três anos de existência e de muita luta por continuar a ser bem vista na comunidade (nunca ninguém recebeu mais convites de meadd do que ela) para terminar assim, no vácuo, no esquecimento... Qual o sentido de tudo isso? Vidas vão e vêm, mas dessa vez ela simplesmente se apagou. De tudo, restou somente essa gravação minutos antes de ser hackeada:

YLoveJesus: Me paça a çua sehna, burxa dos enpherrrrno!!!
Magda: Nunca! O meu segredo é a minha vida. Um sonho não se entrega, se faz e se conquista! O que o gênio cria, não se perde nem se escraviza!
YLoveJesus: Ah eh??? huashuahsuah!!!1! Tah achadno ki tem mais poder qui Jesus?? hushsuhusha! Para tras, pagã increhdula, ki eu vou temostar!!!!
Magda: Não! Jamais! O que guardo é um instante que lampeja! Um olhar mais alto do que as próprias estrelas! Sou fruto, sou obra, sou dom, a senha ninguém me tira e pode ir abaixando o tom!
YLoveJesus: Huhuahauahushua! Soh jesus reina, meu bem. Agora toma iso satanikkaaaa!!! Unlimited powerrrrrrr!!!!!! [ruídos misteriosos].
Magda: Não! Por favor, pare! Aceite esses biscoitos felizes da amizade, estão quentinh... Aaaaaaaah! [som de um corpo tombando pesadamente no chão].
YLoveJesus: Huhuhaushuahu! Biscoito? [arranca um biscoito da mão de Magda, já morta no chão; dá uma mordida e cospe com rancor para o lado]. Com jesus naum se bargahna naum, é intransigivele! Huahuahauashua! Toma isso, sua impia! Cade os seus poder agora eim? Huahuahauaahua!

Só pude chegar horas depois de ocorrido o crime. Na cena, não encontrei nenhum vestígio de sangue, briga ou qualquer contenda que pudesse ter havido. As portas e janelas estavam todas trancadas, e tive que entrar secretamente pela chaminé. A casa estava silenciosa e arrumada, com a diferença de que aquela já não era mais a casa de Magda Fantonelle: estava tudo mudado. Era como se ela jamais houvesse existido. Nem sinal de Lilieth, sua gata que sabia indicar com as patinhas a presença de espíritos de suicidas. Toda a sua memória havia sido varrida dali. Em busca de algo que me explicasse seu sumiço, encontrei sobre a cadeira em que costumava sentar a misteriosa mensagem: "JESUUUUSS .. TE AMA :) SABIA .. NÃO SE PREOCÚPE NÃO A BRUXA DAKI, FOI RAKEADA.. QUE JESUS ILUMINE SEU DIA." Enojado, saí de lá correndo, e nunca mais voltei.

Magda, sentiremos falta da dança das xícaras, de seu chá alucinógeno e de sua poltrona flutuante. As partidas de tarot nunca mais serão as mesmas. De você, só nos resta, agora, a lembrança das tardes ensolaradas em que jogávamos peteca enquanto a brisa cochichava em nossas ouvidos a alegria de um mundo melhor mas secreto. Sim, ainda corisca em minha mente as raquetes altas deslizando sobre os últimos raios, quando então borrifávamos o ar com suor e saliva de satisfação. Sim, ainda consigo ouvi-la dizendo como se fosse hoje: "NÃO DEIXA A PETECA CAIR". Não, não deixaremos.

domingo, 20 de junho de 2010

Minúcias noturnas

Constelação de Capricórnio, de Orion, de Pegasus... Você diz: "Legal, legal...". Eu também digo: "Legal, legal...". Ma será que está tudo legal, mesmo? Tantas constelações, tantos nomes... Não consegue visualizar algo de errado por trás dessa alegre celebração dos mapas estelares?... Pois há! Saiba que nem todas as estrelas estão incluídas em uma constelação: são as renegadas. Muitas não foram abarcadas pelos tradicionais desenhos. Vagam pelo espaço, tristes, desoladas, desertas de sentido, pois ninguém se importa com elas. Jogadas no baú do esquecimento, comendo pó e sorvendo a amarga ignorância dos humanos, são párias rodopiando na escuridão da indiferença, enquanto consomem como gordas depressivas o seu gás. Milhares delas! Párias luminosos, sim. Mas párias tristes, de lúrida luz. Pense nisso: todas apenas sonhando intensamente com o dia em que serão incluídas em uma constelação. Ilusão? Talvez... Mas que sonhos não o são?...

E agora, Leif Eriksson, você as consulta gratuitamente pelo céu. Não demorará muito, e logo embarcará em um pequeno e leve barco rumo ao Oeste, através dos mares gelados, movido pela intrepidez ou não. E, com certeza, serão elas - sim, elas - que o carregarão são e salvo quando a noite cerrar-se diante de seus olhos. Veja bem, você se guiará por elas, devotará toda a segurança de sua tripulação em suas mãos. A embarcação não irá a lugar algum senão antes orientada pelos sábios caminhos que cintilam. As estrelas contam-lhe histórias, apaziguam a sua fúria, murmuram mistérios e vaticinam sobre o futuro. E, apesar de sua indiferença, elas sempre estão lá, firmes e certas. Afinal, elas não têm escolha... Você as olhava - eu mesmo as olhava - e pensava: "Como são bonitas, como é agradável observar seu tremeluzir azul e frio, tão distantes e ao mesmo tempo tão ternas, etc.". Sadismos! Elas estavam chorando!

Não há inveja entre as estrelas. As "consteladas" e as "aconsteladas" acolhem-se mutuamente, pois se sabem irmãs. Apenas a tristeza de quem foi deixado de lado. Aquelas consolam estas de sua triste sina, e torcem com toda a sua ternura pelo fim dessa tragédia milenar. As "desconsteladas", por sua vez, sussurram nos sonhos dos astrônomos os nomes que gostariam de ter, murmuram suas histórias e os segredos que desenham... Em vão! Até quando? Copérnico, até você? Não as viu? Você não as escutou, não soube interpretá-las, pois estava mergulhado em sofismas matemáticos. Olavo, Olavo!... Que decepção... Até a pouco não as decantava, vangloriando-se de poder ouvi-las? Mas só pensava em si mesmo; a sua vaidade emudeceu seu sideral suspiro. Se nem você, eu pergunto: quem? Leif Eriksson, sei que está me ouvindo. Você parte e por dias não vê outra coisa senão estrelas. De algum modo elas devem ser importantes para você. Pois tenha compaixão delas: risque no alto negrume as histórias nunca antes contadas! 

Tenho aqui comigo alguns nomes. Sente-se, lerei para você: "Nestlê, Parmalat, Petrobrás, Samsung...". Tenho um plano para incluir todas as estrelas. Não pretendo com isso, claro, estabelecer a plena felicidade sideral. Mas penso que, se podemos ao menos amenizar a sua tristeza, por que não fazer se nos custa tão pouco? Gostaria de sua opinião para os nomes que eu elaborei. Venho até você, primeiramente, porque sei como os Vikings são bons em dar nomes. Tudo o que peço é que inclua, não precisa ser todas, mas pelo menos algumas em seus mapas estelares. Conheço de suas sagas e de sua verdadeira devoção pelas noites abertas, e sei que nenhum viking deixaria ao desamparo suas tão fiéis companheiras. Se você puder dedicar um pouco de sua atenção a esse meu pedido, um minuto somente de sua reflexão, nós poderíamo...

"Rrrrruaaaaaaaghtrrrrraaaaaaaagh!!!!!!!!"*

PS: Bom, talvez o senhor Leif Eriksson não esteja muito preocupado com a situação das estrelas sem constelação (saiu um tanto zangado da taberna; nem ao menos chegou a terminar a sua caneca de cerveja). Mas e você? Será que é pedir muito que você invente nomes para as estrelas renegadas? Será que é pedir muito que você descubra sua história, sua ventura, seus desejos?

*significa em viking: Helga estar me chamando para o almoço; não ter tempo para as suas bobagens.

sábado, 5 de junho de 2010

Inove o seu miojo

Todo mundo sabe o que significa macarrão instantâneo. Uma comida rápida e barata para preguiçosos sem muito ânimo em cogitar de seu nulo valor nutritivo. Gerações inteiras de oligofrênicos têm, entretanto, posto constantemente uma séria questão entre o dever de estar minimamente alimentado e o tempo disponível dividido por duas vezes a preguiça: o miojo, após semanas de seu exclusivo consumo, enjoa! O que fazer? Procurar uma nova opção igualmente barata e talvez mais nutritiva? É claro que não! Ahil! O segredo está em inventar o molho. Eu sei, eu sei... Nada substitui as altas quantidades de sódio do sachê. Mas convenhamos, já está na hora de mudar! Contudo, contudo... É necessário muito cuidado para escolher os ingredientes do molho. Não é qualquer coisa que cai bem.

Está vendo isso aqui? É noz-moscada. Cheira. Bom, né? As maravilhas do oriente cuidadosamente subtraídas de suas propriedades alucinógenas por um processo mágico (*o*) de industrialização. Mas não é para pôr no miojo! Fica horrível! É bom para bolo, biscoitos, doces em geral... Mas não no miojo! Não me faça isso. O resultado é simplesmente incomível! É muito forte, e anulará simplesmente qualquer coisa que você tente pôr no macarrão. Eu diria que é como beber perfume.

Ah! O que temos aqui? Azeite. O Mediterrâneo tenta uma sedutora excursão em sua mesa, liquidamente tremeluzindo a harmonia musical das oliveiras farfalhando ao morno vento. Mas você não vai deixar! Não no miojo! Argh! Excelente para a salada e para a saúde. Mas no miojo dará um efeito viscoso, além de um vago sabor rançoso. Tem que ficar esperto.

"Oh! Sou um senhor apressado e vou pôr molho de soja com molho inglês". Está louco? Quantos fígados você tem afinal? Lembre-se: você está pondo salgado em cima de salgado. Isso não vai dar certo... Além do mais, você quer substituir o gosto hermético do sachê por outra coisa, e não por seu semelhante. Se for para fazer isso, coloque de uma vez o pó.

O que pôr então? Salsicha? Calabresa? Queijo? Eu não faria isso, a não ser que eu queira morrer de câncer. Ora! Molho de tomate. Simples assim. Levemente ácido, brandamente doce, o molho de tomate equilibrará o excesso de sal do macarrão instantâneo. Sanada a dúvida, sem mais a dizer, aconselho, ainda, e aqui debruço-me sobre o balcão da cozinha e chamo para mais perto o meu interlocutor, que lugar de refrigerante é no copo, não na comida.

domingo, 23 de maio de 2010

Quando o teflon não mais existir

Pelo desgaste do constante usar, então perceberás que a sua frigideira não era eterna. Parece triste, mas não sou eu que escrevo o roteiro. Se fosse eu o autor, eu certamente não teria posto teflon. Eu faria uma panela absolutamente simples, mas durável. E por durável entenda-se algo que não se consome em alguns anos, mas algo que possa sobreviver tempo suficiente para servir de legado ao museu local. Eles não têm lá algo muito interessante a ser mostrado, de qualquer modo (ainda lembro de uma exposição, de caráter muito duvidoso, que veio apresentar-nos os sapatos de cristal da Cinderela - é, eu acreditei).

Eu não! Porei teflon, imagine que não!... As facilidades da tecnologia não devem ser descartadas. Pelo contrário, devem ser maximizadas até que possam substituir toda a força animal. Teflon nos bancos dos carros: você dirigirá escorregando, eu diria dançando muito loucamente enquanto aprecia os acidentes, digo, a paisagem. Teflon no chão da cozinha, nos corredores do colégio, nas escadas, no fórum, na prisão: todos dançando loucamente. Dancem! Dancem! Teflon é mesmo uma maravilha, é preciso saber apreciá-lo, seja na fluidez de um hambúrguer deslizando em sua própria gordura, seja na candura de uma lambada.

A força animal deve ser eliminada. Não há natureza que possa ser conhecida. Creiam-me, é tudo falácia qualquer coisa que se diga a respeito de uma natureza humana; ninguém sabe o que é isso. Ninguém gosta e nem nunca gostou do trabalho árduo, sofrido e repetitivo. Eu ainda não tive notícias de uma elite baseada no trabalho manual... Dancem! Dancem! Teflon faz bem. Mas ele também será substituído.

PS: Finaliza-se a presente cena com todos dançando sobre teflon. Eu elejo o fórum, pois acho divertidíssimo, mas pode ser qualquer outro lugar e... Mas, heim! Eu estou ouvindo gente gritar, mas não estou ouvindo gente dan-ça-ar!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Odisséia mais-que-noturna

[Por favor... Não confundam "tchan-tchan-tchan-tchan" com a derivada e degenerada onomatopéia que designa a apresentação de forma infantil ou jocoso-débil. Estou referindo-me à Sinfonia nº 5 de Beethoven, assim, enérgica e totipotente - para uma idéia mais concreta, ver a marcha nupcial em Die Klage der Kaiserin, parte 5, minuto 5 e tantos]. Ah, sim, os princípios do periculosismo: maximização do sofrimento; obstaculização do necessário; imperativo do constante perigo e temor. Eis a trindade, eis os pilares que deverão reger sua vida a partir de... agora. Não se assuste, aderir a isso é uma simples questão de sabê-lo. Quando me dei por conta, eu já o vivia e já o fazia como uma das principais razões do meu humor: começou com o fosso incrustado de ossos pontiagudos próximo aos bares, o copo envenenado somente em uma parte das bordas, mais ossos pontiagudos adornando as traseiras e frentes dos carros... Então vi que não conseguia mais parar e procurei ajuda. Hoje, sei que devo, não abster-me, mas minimizar essas práticas compensando-as com insumos quí... Bom, não sei se há necessidade de maiores explicações. Observe que há uma gama quase infinita a ser explorada (ventiladores de teto com lâminas, janelas com guilhotinas, filas de banco entremeadas por campos minados, balcões de informação cravejados intermitentemente de pregos, escadarias móveis ou sacolejantes, etc.). Basta apelar para a dor e à frustração.

Sem dúvida que você encontrará outras maneiras de concretizar por meio da imaginação os princípios do periculosismo. Tudo o que queremos é um mundo mais difícil e absurdo, onde qualquer possibilidade seja constantemente obliterada e obscurecida em uma nuvem de perigo, medo e morbidez, burocrática ou não.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tchan-tchan-tchan-tchan


É do Laerte, se não for subestimar demais. Agora, deixando essas bobagens de lado, é com muito prazer que venho anunciar o meu mais novo SISTEMä OPERäCIONäL DE MäXIMIZäÇäO DE PERICULOSIDäDE. Depois eu dou mais detalhes. Por enquanto, você precisará tão somente de:

1. Uma caixa de pregos católicos, do tipo opus dei.
2. Barbante ruim (não queremos garantir a qualidade).
3. Lâminas de barbear.
4. Cola.
5. Pedra britada.
6.Três pedaços de pau.

Disponha os objetos referidos de modo a formar três clavas (vou ter que pedir pra usar a imaginação?). Pendure-as com o barbante e cole no teto do seu quarto. Apague a luz. Dance. Amanhã ensinarei a fazer bordas cortantes nas mesas dos bares.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Aguardando abdução

Desculpa, mas agora eu só uso Tostines. Já passei da fase Bauduco. Só me satisfazem biscoitos de terceira categoria, de recheio duro e insosso, daqueles que você morde e sente grânulos de açúcar. Não, não estou incentivando o brega ou o cafona. Não, não estou fazendo apologia ao prosaico. É uma maneira diferente de comer Tostines. Envolve a não-sedução, a não-exaltação, o não-envolvimento com algo mais digno de valor. Sim, estou confinando tudo a quatro paredes. Sim, estou convencido de que a abdução nos redimirá.

P.S.: Isso não é um cartão. Eu ainda estou fornecendo-os de graça, ok?

quarta-feira, 31 de março de 2010

As aparências não me enganam, não

Nhac nhac nhac [digitando com os dentes]. Anota aí: "Sou do tipo que preza pela correta distinção entre meteoros, cometas e asteróides". Nhac nhac nhac. "Desculpa, mas eu sei admitir os erros dos outros". Nha nhac nhac. "A nobreza nos redimiu na aparência e na constância dos requintes linguísticos". Nha nhac nhac. "Eu sou um jardim mesopotâmico e não tenho medo de usá-lo para a satisfação de sua lascívia". Nhac nhac nhac. Aham, sinto-me pronto para começar o meu mais novo projeto: confecção de cartões, comemorativos ou não. Preciso aprender algo que me garanta na eventuallidade de eu vir a perder meu cargo público em razão de mudanças de paradigmas ou sei-lá... Agora, resta saber aonde enfiei os lápis-de-cor. Você também se garante?

PS.: A quem estiver interessado, estarei aceitando encomendas.
PPS.: Por enquanto é grátis.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Eles roubaram a minha piada

Para você, geneticamente embutido e predisposto a levar uns bons tapas nas orelhas, finalmente o sabão em pó que combina com o seu jeito de ser! Áspero, inorgânico e extravagantemente perfumado até a náusea. Ops! Deixei cair:

"(...) O resto da população, mantida em situação vulnerável, ignora os benefícios de uma economia baseada no consumo. (...) Ao transformar o sertanejo, o peão, o matuto em consumidores, o consumo se revela um método extremamente eficaz para integrar os excluídos e estender a cidadania a todos os brasileiros. Passado ao largo de discursos grandiloqüentes e damagogias ocas, o advento de uma sociedade de consumo no Brasil funcionaria como atalho econômico para a solução de muitas de nossas mazelas." (Desconhecido).

"O policiamento uniformizado de rua deveria ser permanente - dia e noite -, com viaturas em movimento, fazendo prevenção (para evitar a prática dos crimes), pois não adianta chegar ao local quando os fatos já são irreversíveis, com prejuízos humanos e materiais que só servem para a 'estatística' da insegurança (política e economicamente rentável). (...) É necessária a mudança de mentalidade e formação, preparando o policial uniformizado para fazer o verdadeiro policiamento preventivo: uma viatura, com apenas dois policiais, em baixa velocidade e rastreada pelo centro de controle, com o mapeamento das ruas e o planejamento da prevenção, passando em frente das casas a cada 30 minutos. E mais: não havendo viatura, o policial uniformizado deve cumprir o seu horário a pé, fazendo até seis quilômetros por hora. Portanto, a cada hora, um patrulhamento terá condições de realizar o policiamento preventivo entre seis e dez ruas, passando em frente das casas, no mínimo, a cada hora. A prevenção é possível, se o governo dispuser disso." (MORAES, Bismael B. Estado e segurança diante do Direito. p. 63.)

Diante dessas exaustivas palavras, calo-me e continuo a vasculhar o lixo. Sem mais delongas, passo o microfone para o Alf.