sábado, 5 de junho de 2010

Inove o seu miojo

Todo mundo sabe o que significa macarrão instantâneo. Uma comida rápida e barata para preguiçosos sem muito ânimo em cogitar de seu nulo valor nutritivo. Gerações inteiras de oligofrênicos têm, entretanto, posto constantemente uma séria questão entre o dever de estar minimamente alimentado e o tempo disponível dividido por duas vezes a preguiça: o miojo, após semanas de seu exclusivo consumo, enjoa! O que fazer? Procurar uma nova opção igualmente barata e talvez mais nutritiva? É claro que não! Ahil! O segredo está em inventar o molho. Eu sei, eu sei... Nada substitui as altas quantidades de sódio do sachê. Mas convenhamos, já está na hora de mudar! Contudo, contudo... É necessário muito cuidado para escolher os ingredientes do molho. Não é qualquer coisa que cai bem.

Está vendo isso aqui? É noz-moscada. Cheira. Bom, né? As maravilhas do oriente cuidadosamente subtraídas de suas propriedades alucinógenas por um processo mágico (*o*) de industrialização. Mas não é para pôr no miojo! Fica horrível! É bom para bolo, biscoitos, doces em geral... Mas não no miojo! Não me faça isso. O resultado é simplesmente incomível! É muito forte, e anulará simplesmente qualquer coisa que você tente pôr no macarrão. Eu diria que é como beber perfume.

Ah! O que temos aqui? Azeite. O Mediterrâneo tenta uma sedutora excursão em sua mesa, liquidamente tremeluzindo a harmonia musical das oliveiras farfalhando ao morno vento. Mas você não vai deixar! Não no miojo! Argh! Excelente para a salada e para a saúde. Mas no miojo dará um efeito viscoso, além de um vago sabor rançoso. Tem que ficar esperto.

"Oh! Sou um senhor apressado e vou pôr molho de soja com molho inglês". Está louco? Quantos fígados você tem afinal? Lembre-se: você está pondo salgado em cima de salgado. Isso não vai dar certo... Além do mais, você quer substituir o gosto hermético do sachê por outra coisa, e não por seu semelhante. Se for para fazer isso, coloque de uma vez o pó.

O que pôr então? Salsicha? Calabresa? Queijo? Eu não faria isso, a não ser que eu queira morrer de câncer. Ora! Molho de tomate. Simples assim. Levemente ácido, brandamente doce, o molho de tomate equilibrará o excesso de sal do macarrão instantâneo. Sanada a dúvida, sem mais a dizer, aconselho, ainda, e aqui debruço-me sobre o balcão da cozinha e chamo para mais perto o meu interlocutor, que lugar de refrigerante é no copo, não na comida.

domingo, 23 de maio de 2010

Quando o teflon não mais existir

Pelo desgaste do constante usar, então perceberás que a sua frigideira não era eterna. Parece triste, mas não sou eu que escrevo o roteiro. Se fosse eu o autor, eu certamente não teria posto teflon. Eu faria uma panela absolutamente simples, mas durável. E por durável entenda-se algo que não se consome em alguns anos, mas algo que possa sobreviver tempo suficiente para servir de legado ao museu local. Eles não têm lá algo muito interessante a ser mostrado, de qualquer modo (ainda lembro de uma exposição, de caráter muito duvidoso, que veio apresentar-nos os sapatos de cristal da Cinderela - é, eu acreditei).

Eu não! Porei teflon, imagine que não!... As facilidades da tecnologia não devem ser descartadas. Pelo contrário, devem ser maximizadas até que possam substituir toda a força animal. Teflon nos bancos dos carros: você dirigirá escorregando, eu diria dançando muito loucamente enquanto aprecia os acidentes, digo, a paisagem. Teflon no chão da cozinha, nos corredores do colégio, nas escadas, no fórum, na prisão: todos dançando loucamente. Dancem! Dancem! Teflon é mesmo uma maravilha, é preciso saber apreciá-lo, seja na fluidez de um hambúrguer deslizando em sua própria gordura, seja na candura de uma lambada.

A força animal deve ser eliminada. Não há natureza que possa ser conhecida. Creiam-me, é tudo falácia qualquer coisa que se diga a respeito de uma natureza humana; ninguém sabe o que é isso. Ninguém gosta e nem nunca gostou do trabalho árduo, sofrido e repetitivo. Eu ainda não tive notícias de uma elite baseada no trabalho manual... Dancem! Dancem! Teflon faz bem. Mas ele também será substituído.

PS: Finaliza-se a presente cena com todos dançando sobre teflon. Eu elejo o fórum, pois acho divertidíssimo, mas pode ser qualquer outro lugar e... Mas, heim! Eu estou ouvindo gente gritar, mas não estou ouvindo gente dan-ça-ar!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Odisséia mais-que-noturna

[Por favor... Não confundam "tchan-tchan-tchan-tchan" com a derivada e degenerada onomatopéia que designa a apresentação de forma infantil ou jocoso-débil. Estou referindo-me à Sinfonia nº 5 de Beethoven, assim, enérgica e totipotente - para uma idéia mais concreta, ver a marcha nupcial em Die Klage der Kaiserin, parte 5, minuto 5 e tantos]. Ah, sim, os princípios do periculosismo: maximização do sofrimento; obstaculização do necessário; imperativo do constante perigo e temor. Eis a trindade, eis os pilares que deverão reger sua vida a partir de... agora. Não se assuste, aderir a isso é uma simples questão de sabê-lo. Quando me dei por conta, eu já o vivia e já o fazia como uma das principais razões do meu humor: começou com o fosso incrustado de ossos pontiagudos próximo aos bares, o copo envenenado somente em uma parte das bordas, mais ossos pontiagudos adornando as traseiras e frentes dos carros... Então vi que não conseguia mais parar e procurei ajuda. Hoje, sei que devo, não abster-me, mas minimizar essas práticas compensando-as com insumos quí... Bom, não sei se há necessidade de maiores explicações. Observe que há uma gama quase infinita a ser explorada (ventiladores de teto com lâminas, janelas com guilhotinas, filas de banco entremeadas por campos minados, balcões de informação cravejados intermitentemente de pregos, escadarias móveis ou sacolejantes, etc.). Basta apelar para a dor e à frustração.

Sem dúvida que você encontrará outras maneiras de concretizar por meio da imaginação os princípios do periculosismo. Tudo o que queremos é um mundo mais difícil e absurdo, onde qualquer possibilidade seja constantemente obliterada e obscurecida em uma nuvem de perigo, medo e morbidez, burocrática ou não.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tchan-tchan-tchan-tchan


É do Laerte, se não for subestimar demais. Agora, deixando essas bobagens de lado, é com muito prazer que venho anunciar o meu mais novo SISTEMä OPERäCIONäL DE MäXIMIZäÇäO DE PERICULOSIDäDE. Depois eu dou mais detalhes. Por enquanto, você precisará tão somente de:

1. Uma caixa de pregos católicos, do tipo opus dei.
2. Barbante ruim (não queremos garantir a qualidade).
3. Lâminas de barbear.
4. Cola.
5. Pedra britada.
6.Três pedaços de pau.

Disponha os objetos referidos de modo a formar três clavas (vou ter que pedir pra usar a imaginação?). Pendure-as com o barbante e cole no teto do seu quarto. Apague a luz. Dance. Amanhã ensinarei a fazer bordas cortantes nas mesas dos bares.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Aguardando abdução

Desculpa, mas agora eu só uso Tostines. Já passei da fase Bauduco. Só me satisfazem biscoitos de terceira categoria, de recheio duro e insosso, daqueles que você morde e sente grânulos de açúcar. Não, não estou incentivando o brega ou o cafona. Não, não estou fazendo apologia ao prosaico. É uma maneira diferente de comer Tostines. Envolve a não-sedução, a não-exaltação, o não-envolvimento com algo mais digno de valor. Sim, estou confinando tudo a quatro paredes. Sim, estou convencido de que a abdução nos redimirá.

P.S.: Isso não é um cartão. Eu ainda estou fornecendo-os de graça, ok?

quarta-feira, 31 de março de 2010

As aparências não me enganam, não

Nhac nhac nhac [digitando com os dentes]. Anota aí: "Sou do tipo que preza pela correta distinção entre meteoros, cometas e asteróides". Nhac nhac nhac. "Desculpa, mas eu sei admitir os erros dos outros". Nha nhac nhac. "A nobreza nos redimiu na aparência e na constância dos requintes linguísticos". Nha nhac nhac. "Eu sou um jardim mesopotâmico e não tenho medo de usá-lo para a satisfação de sua lascívia". Nhac nhac nhac. Aham, sinto-me pronto para começar o meu mais novo projeto: confecção de cartões, comemorativos ou não. Preciso aprender algo que me garanta na eventuallidade de eu vir a perder meu cargo público em razão de mudanças de paradigmas ou sei-lá... Agora, resta saber aonde enfiei os lápis-de-cor. Você também se garante?

PS.: A quem estiver interessado, estarei aceitando encomendas.
PPS.: Por enquanto é grátis.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Eles roubaram a minha piada

Para você, geneticamente embutido e predisposto a levar uns bons tapas nas orelhas, finalmente o sabão em pó que combina com o seu jeito de ser! Áspero, inorgânico e extravagantemente perfumado até a náusea. Ops! Deixei cair:

"(...) O resto da população, mantida em situação vulnerável, ignora os benefícios de uma economia baseada no consumo. (...) Ao transformar o sertanejo, o peão, o matuto em consumidores, o consumo se revela um método extremamente eficaz para integrar os excluídos e estender a cidadania a todos os brasileiros. Passado ao largo de discursos grandiloqüentes e damagogias ocas, o advento de uma sociedade de consumo no Brasil funcionaria como atalho econômico para a solução de muitas de nossas mazelas." (Desconhecido).

"O policiamento uniformizado de rua deveria ser permanente - dia e noite -, com viaturas em movimento, fazendo prevenção (para evitar a prática dos crimes), pois não adianta chegar ao local quando os fatos já são irreversíveis, com prejuízos humanos e materiais que só servem para a 'estatística' da insegurança (política e economicamente rentável). (...) É necessária a mudança de mentalidade e formação, preparando o policial uniformizado para fazer o verdadeiro policiamento preventivo: uma viatura, com apenas dois policiais, em baixa velocidade e rastreada pelo centro de controle, com o mapeamento das ruas e o planejamento da prevenção, passando em frente das casas a cada 30 minutos. E mais: não havendo viatura, o policial uniformizado deve cumprir o seu horário a pé, fazendo até seis quilômetros por hora. Portanto, a cada hora, um patrulhamento terá condições de realizar o policiamento preventivo entre seis e dez ruas, passando em frente das casas, no mínimo, a cada hora. A prevenção é possível, se o governo dispuser disso." (MORAES, Bismael B. Estado e segurança diante do Direito. p. 63.)

Diante dessas exaustivas palavras, calo-me e continuo a vasculhar o lixo. Sem mais delongas, passo o microfone para o Alf.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Autoridade competente

E foi então que eu liguei para a polícia perguntando se, caso fossem a uma ocorrência aqui perto, não podiam aproveitar e trocar a lâmpada do meu quarto. Ora, veja, não é pela escada, a qual utilizo razoavelmente sem muita hesitação, mas tenho medo de levar um choque. E o que eu recebo é uma resposta sarcástica ou tediosa. Pois bem, conforta-me saber que os dias dessa instituição estão contados, da mesma forma como todas as outras instituições burocráticas. Perspicácia, mesmo, é querer estudar para robô.

Eu, humanamente falando, prefiro dedicar-me à não tão árdua tarefa de dar audiência à Luciana, de Viver a Vida: a "menina danada" que não tem medo de enfrentar as dificuldades de um cadeirante ao pegar um ônibus. Ou não. Sinto-me em pleno fôlego a rir dos mísseis de longo alcance de tecnologia norte-coreana, quanto das "providências a serem tomadas". Mas, mais ufanamente engraçado ainda, será pôr meu pedido na embocadura de uma cabine e ver, segundos após, a resposta impressa do outro lado; celeridade processual nunca foi tão séria.

domingo, 7 de março de 2010

Os dias já eram curtos

E agora estão mais curtos ainda. Wikipédia, digo, Richard Gross, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, avisa: o sismo ocorrido no Chile, neste ano, deslocou em aproximadamente oito centímetros o eixo da Terra, provocando o encurtamento dos dias em cerca de 1,26 microssegundo. A possibilidade disso acontecer parece-me, agora, óbvia, mas sequer cogitava até então.

A quantidade de variáveis no Universo é muito maior e mais bela do que poderia fazer-nos supor nossas apostilas de ensino médio. Neste momento, nosso pólo norte físico está apontado em direção à Estrela Polar (não me façam explicar o nome). Entretanto, devido à precessão dos equinócios, movimento que o eixo terrestre executa, fazendo com que o pólo percorra um círculo através da abóbada celeste, no ano de 13.727 estará apontando para Vega.

Não, você não ouviu errado. Salve-salve, Vega, uma das estrelas mais próximas de nosso sistema! Maior e mais brilhante que o Sol, consome rapidamente seu hidrogênio, de modo que morrerá relativamente cedo. A possibilidade de conter planetas rochosos ainda é uma vaga especulação; a hipótese mais recalcada aponta para um sistema de planetas em formação.

Os babilônios chamavam-na de "the Messenger of Light", os acádios de "Life of Heaven" (desculpe, não me atrevi a traduzir; poderia perder o sentido). É também o nome de um carro. Não é enternecedor? No livro e filme "Contato", é em suas imediações que uma radioastrônoma consegue captar mensagens alienígenas de uma civilização incomparavelmente mais avançada.
Supondo que você esteja no hemisfério norte, olhando para o leste, Vega estará nesta posição ao amanhecer, bem cedinho (eu fiz uma flechinha no paint, mas não deu muito certo por razões misteriosas). Segui as instruções do autor da foto, penso que estou certo. Contemplem a nossa futura estrela polar.

PS: Sim, isso parece programa de índio.
PPS: Sim, eu me desviei do assunto com uma facilidade vertiginosa.
PPPS: Sim, eu não tinha foto melhor para pôr.
PPPPS: E não, não estou contente com a estética criada, devido à irritante proximidade entre as duas imagens.