segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Construa seu buraco de minhoca

"Manter um buraco de minhoca já existente aberto não é o mesmo que fazer com que ele o leve para onde você quiser. A solução é criar o seu próprio buraco de minhoca. Depois de fazer a cavidade no espaço, curve suavemente esse espaço, até que o lugar aonde você quer ir, o seu ponto de chegada, fique próximo da base da cavidade. Então faça um pequeno furo nessa base, e outro perto de seu ponto de chegada. Cole as pontas dos buracos uma na outra. Você acaba de construir seu próprio buraco de minhoca, e pode viajar livremente pelo Universo."(COUPER, Heather; HENBEST, Nigel. Buracos Negros: uma viagem ao centro de um buraco negro - um dos maiores mistérios do Universo. p. 30).

Você também vai precisar de matéria antigravitacional para untar as paredes do buraco-negro. Isso será necessário para que ele não se feche sobre si mesmo e você não tenha que morrer como espaguete. No livro eles falam como uma alternativa para chegar-se instantaneamente à Lua; eu penso em algo mais longe... "Mas, caso o espaço não seja curvo?..." Eu direi que então provavelmente você atingirá um universo paralelo, ou algo do tipo. Mas , meu caro, não foi com essa atitude que o R2-D2 salvou a rainha, não? Ou o Hary Potter, a seu critério. Agrsora que vose jah aperndeu vamos faser um cade meu gerador de enrnegia antigarvitacional?

PS.: Tá bom! Eu devolvo seu livro, ora!
PPS.: Sim, eu vou querer um desses macacões cáquis.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pandora, Lua de Saturno


Sim, eu me emocionei com filme em 3D. Sim, eu me deleitei com a idéia do filme (veja bem, com a idéia, não com a história). Sim, eu senti ódio pelo coronel Quaritch e aplaudi a Dra. Grace Augustine. Eu ri, eu chorei, não escondo isso. Mas bem, isso não me impede de imaginar um final alternativo para Avatar. Afinal, exército tecnológico ser derrotado pela fauna de Pandora não cola, não é mesmo?

"E, então, a licença da mineradora terminara, e são obrigados a paralisar suas atividades. Fim."
(Aplausos).

Também vou traçar um início diferente.
- É descoberta a Lua de Pandora.
- A empresa RDA obtém licença para explorar.
- A empresa põe na gerência do que seria uma das maiores empreitadas da Humanidade um administrador competente e com QI normal.
- A empresa rejeita o Coronel Quaritch por distúrbios psicológicos.
- A empresa resolve empregar técnicas mais modernas de exploração do que as antiquadas formas outrora responsáveis pela degradação da Terra.
- O governo diz incabível e desautoriza qualquer tipo de ocupação militar por parte da empresa.
- O governo (muitos manifestos, mas muitos mesmo) volta atrás e decide que mundos alienígenas são muito importantes para serem explorados por particulares.
- Apenas cientistas altamente capacitados e devidamente no uso de suas razões são enviados.

Voilà! Uma história coerente e interessante sem passar necessariamente pelos clichês. Finalmente pode-se apreciar a emoção de se visitar um mundo alienígena habitado sem os recorrentes e inócuos draminhas.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os psicólogos que o digam

Como o sonho é preciso! Washington possui uma linda praia de águas azuis, porém sua areia é escura e coberta de ostras que temi serem venenosas. A Noruega, em um insano resgate de suas glórias passadas, tornou-se uma potência mundial e expandiu seus domínios conquistando Goa e vastas regiões do Caribe, que não ficava na América Central, mas no Ocenano Índico, mais especificamente, no que seria o litoral oriental da Índia. Ah, sim! Também escravizava populações da África para irem trabalhar nas minas de sua gélida ilha de Svalbard. É, eu era um soldado norueguês que comia biscoitos enquanto me enchiam o colo de bombons em plena guerra. E após tantas lições de geografia, como querem que eu dê importância aos sonhos? Fora a delícia de cenas tão fantásticas que muito provavelmente não encontrarei em nenhum lugar do mundo, parecem-me pura mistura alucinógena de idéias de onde não me motivaria a extrair qualquer sentido.

E... tédio pós-viagem. É todo mundo que passa por isso ou só eu? Ah!, onde mais poderei ouvir a óssea língua de nuestros hermanos? Aonde mais poderei ver a diária exposição de corpos? Não vejo mais sentido na minha vida senão sentado em um café enquanto observo os transeuntes com seus trajes mínimos conversarem em diferentes acentos e... Olha!, descobriram um mar interior na África!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ensina-nos a rir

Para mim, e eu vejo isso com bastante clareza, as páginas de relacionamento virtual, que estão fervendo por aí, bem como os jogos cada vez mais reais só podem levar a um único destino: MATRIX. Sim, pois, no futuro, a simulação será tão fiel e pujante e arrebatadora que será muito mais sedutor viver em um mundo artificial e perfeito do que suportar essa coisa pegajosa que é a verdade. Sim, senhor. Cada um poderá viver em uma realidade virtual conforme sempre se sonhou. Afinal, concordem ou não discordem, quem não quer uma vida do tipo "eu e os figurantes"? É claro que alguns detalhes deverão ser ajustados antes de começarmos esse grande empreendimento. Primeiramente, sugiro, e aqui é mera imposição, a construção de uma supernave espacial de navegação controlada por inteligência artificial. Não estranhem. Não poderemos permanecer na Terra eternamente pois, infelizmente, ainda não pensamos em nenhuma forma de anular a realidade exterior. Assim, o objetivo dessa supernave espacial seria conduzir-nos seguramente pelos perigos do espaço e, um dia, atingir a zona intergaláctica onde dificilmente seremos perturbados por um evento externo. E pensando nisso, já comecei a sonhar como seria minha realidade virtual. Escolhi viver em Titã, pois, segundo o Sr. Lucas, nessa lua seria facílimo voar usando apenas raquetes de frescobol, devido à sua densa atmosfera e à sua baixa gravidade. Além do que, é provável que possua magníficos lagos de etano e fascinantes criovulcões. Mas enfim, o futuro que nos espera talvez não seja o que os filósofos de antanho sonharam, mas sem dúvida possui sua Glória e Esplendor, com a Humanidade vagando em cápsulas pelas imensidões do Universo, enquanto sonha com visões paradisíacas e (...)
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Diário de bordo, 457/125/30.510.

Querido diário alienígena,

Navegando pelas ermas imediações da Nuvem de Oort nossos avançadíssimos e incompreensíveis computadores detectaram um estranho objeto de estranhas proporções a uma distância aproximadamente de 55 UA alienígenas de nossa atual posição. Os sensores indicam intensas atividades biológicas e de energia de fusão em seu interior, o que muito nos chama cientificamente a atenção pois até o momento não suspeitávamos de nenhuma forma de vida nesse sistema. Estamos polidamente surpresos e curiosos em fazer contato.

Diário de bordo, 468/125/30.510

Nossas tentativas de comunicação com o objeto são um completo fracasso. O objeto limita-se a todo instante a transmitir saudações incoerentes em línguas incompreensíveis. Malgrado o insucesso, nossas expectativas só têm aumentado. Com as informações coletadas não há dúvida de que se tratam de formas inteligentes de vida e estamos ansiosos por trocarmos relações. Estamos enviando expedições de reconhecimento. Não sabemos qual a melhor forma de saudá-los, se lhes mostrando nossas enormes e gosmentas presas, ou se arranhando sua lataria com nossas garras enquanto expelimos ácido sulfúrico pelos nossos muitos orifícios. Aguardamos ansiosos pelo momento. Descobriram quiçá uma forma mais eficaz de virar as panquecas?

Diário de bordo, 005/126/30.510.

Mudança de planos. Decidimos por bem contornarmos a Nuvem de Oort ao invés de encurtar o caminho atravessando-a; quem sabe o que mais podemos encontrar em seu interior. Seria perigoso expor novamente a tripulação a uma turbação dessa magnitude. Os médicos alegam jamais ter observado semelhante fenômeno e não sabem o que fazer. Coisa inédita em nossa espécie, constantemente grossas gotas fluem de nossas cavidades oculares. Estamos imensamente abalados e sem fôlego. Por toda nave encontram-se corpos estirados no chão. Tremem como tomados de uma estranha convulsão; alguns já fracos tentam segurar-se um nos ombros dos outros mas acabam tombando extenuados. Ouvem-se gemidos guturais a todo momento; nem os mais graduados resistiram à loucura coletiva. O que vimos naquele objeto. Dormem como se estivessem mortos. Todos imersos em sonhos. Os sintomas começaram logo após sabermos o motivo de seu estado indolente pelo computador principal. Em cápsulas imersos em mundos fictícios. Estamos partindo imediatamente pois apenas sua vista e já recomeçamos a tremer e a lacrimejar e a soltar grotescos sons cadenciados. Não sabemos em que categoria enquadrá-los. Nunca pensamos que pudesse haver uma civilização assim tão (...)

PS: Aquilo que o alienígena não conseguiu dizer é "a civilização mais patética do Universo".
PPS: Caro Lucas, penso dever-lhe satisfações por roubar-lhe a mui cômica expressão; ei-las.
PPPS: Hum... oralmente parecia mais engraçado.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Baratas são insetos, não Césio-137

" - Bonjour, mon ami! Je m'appelle Michel Durand. Je suis français, j'ais quarante ans et je suis ingénieur. Je suis marié et j'ai deux enfants. Je suis né le quatooooooo!!!!..."

E é assim que sou apresentado a uma simpática baratinha (e, não, isso não foi um grito, mas mera elevação do tom de voz; eu raramente grito; aquela noite em que eu acordei com um grito foi algo inédito na minha vida, por favor, Sr...). Prontamente meu instinto infantil alertou-me de uma perigosa intrusa que deveria ser imediatamente combatida. De um pulo, interrompi todos os meus afazeres e, depressa, saí correndo em busca do veneno. Já de posse, não me poupei e, barrocamente, espargi litros em cima da nefasta ameaça (aqui o Iluminismo mandou lembranças com seu candeeiro). Não teve tempo nem de fazer suas epopéicas corridas pelos aposentos. Morreu antes que pudesse detalhar completamente seu cartão de visitas. Pronto! Missão cumprida! Lamento tão somente o impacto que sinto sempre que elas aparecem. É uma sensação de repugnância e de desconforto com a natureza, como se essa estivesse sempre na iminência de mostrar-me as bestialidades que cultiva secretamente enquanto durmo (para mais reflexões, leia: KANGUSSU, André. Reflexões sobre a vida. Curitiba: Déjà Lit, nov. 2009).

É de fato uma pena, e peço a mim mesmo mais racionalidade da próxima vez. Afinal, as baratas são tão sórdidas e desprovidas de beleza quanto qualquer outro inseto (com exceção das abelhas, abelhas são amigas). Não há necessidade para tamanha exasperação. Veja bem, eu esmago com os dedos formigas, pernilongos, gafanhotos e até deixo as joaninhas passarem incólumes através dos meus domínios. Com as baratas é diferente. Ninguém que eu conheça mataria uma com as próprias mãos. Mas por que as baratas provocam tanto asco nas pessoas? São tão enojadas e temidas que facilmente viram assunto. Eu sei, eu compreendo. Não ignoro que fedem. Sei que transmitem doenças. Mas esse alvoroço todo chega a ser doentio. Sem contar que, depois de ter matado, demora-se um tempo para esquecer sua presença. E isso não é legal.

Não estou defendendo uma atitude passiva diante das baratas. Acredito piamente na necessidade em exterminá-las da face da Terra. Só gostaria que as pessoas não as tratassem como problemas do mesmo nível de um incêndio. E também, gostaria que não passassem isso às crianças, nosso futuro. Às criamça não vou incutir temor nem asco. Antes, trabalharei para que sintam ódio e destemor por elas. Teria gosto em vê-las correndo atrás das baratas, ansiosos de seu sangue, perseguindo-as implacáveis pela casa. Sua intrepidez seria tanta que fariam um colar de seus crânios e competiriam entre si para ver quem matou maior número. E não sentiriam nenhum nojo, nenhum medo. Está bem, imaginação a parte, só quero que matem baratas como eu mato formigas e outros insetos. Assim, que não se sintam frágeis diante de situações que inevitavelmente acontecerão. Só isso.

PS.: A citação inicial possui efeitos meramente cômicos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Filigranas

Com visita em casa, propus-me a fazer chá. Porém, a proposta antecedeu ao fato: não havia me dado conta que só restava um sachezinho. Por óbvio que eu não ia dar escândalo. Por óbvio que eu não ia mencionar o fato. Simplesmente usei o mesmo sachê para as duas xícaras. Eu sou assim. Estou orgulhoso de mim mesmo pela discrição e por resistir à tentação de alardear a miséria do meu armário (fazer de suas agruras assunto: 4 pontos+antecipação da hora de ir embora). E é claro que eu não perguntei se o dito cujo gostaria de mais chá. Na verdade, foi sorte do convidado, pois eu não hesitaria em pegar de volta do lixo. Às vezes, meus caros, é necessário um pouco de heroísmo para salvarmos um pouco do que resta em nossas decadentes vidas.

Lição para a vida I: Não é preciso ser Jesus para perceber que um sachê rende mais do que uma xícara.
Lição para a vida II: Sempre, mas sempre desconfie de seu anfitrião.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Superfície de Vênus


Pintura do artista espacial Chesley Bonestell, nos anos 50. Lindo, não? Gostaria de morar (pelo menos passar uns tempos) em um lugar assim, de tirar o fôlego. Observem a densa atmosfera responsável pelas temperaturas calcinantes do planeta (460ºC, em média), resultado de um galopante e inexorável efeito estufa (o ar é 96% de dióxido de carbono). Aqui e ali, refrescantes nuvens de ácido sulfúrico. Não vejo a hora do mesmo acontecer à Terra...

(Imagem obtida da obra "Pálido ponto azul", de Carl Sagan. Pobre livrinho... Sofreu para adequar-se na superfíce bidimensional do scanner).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Segundas Intenções

Essa carta é belíssima. Ganhou minha predileção não tanto por sua utilidade (que é bastante, visto que não só meramente destrói a criatura infensa, mas remove-a de jogo, anulando absolutamente sua existência), mas pela idéia que traz. Sempre fui, de certa forma, avesso às estratégias agressivas, descaradas, óbvias demais. Não gosto das cartas que ridiculamente baseiam-se na força bruta, ou simplesmente fazem o jogador perder pontos de vida (que graça?). Não. Isso é, para mim, tão insípido... Aniquilam, sem dúvida, a força do inimigo, mas, além de ser simplista demais, deixam intacto o princípio. Prefiro as cartas que controlem, manipulem, neutralizem o inimigo. Sou muito mais as jogadas que envolvam persuasão, dissimulação. Por exemplo, cartas que façam o oponente "revelar a sua mão", descartar, bloquear o ataque, assumir o controle, mesmo que temporariamente, da criatura inimiga, virar criatura alvo, anular mágica, etc. O jogador até desfruta de prosperidade, mas não consegue mover um dedo. Mormente, persuadir o inimigo a desistir; exaurir por completo sua vontade de continuar; convencê-lo de que é inútil tentar qualquer ataque. "De repente Forin começou a compreender que a lavoura era uma profissão até que nobre". E plim!, a criatura desaparece! Belíssimo, não? Essa carta sabe onde está o poder. Bom, agora só falta confessar que muitíssimas vezes perdi a despeito da beleza dessa estratégia. Mas, enfim, a arte em si mesma.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pavão misterioso

Pássaro formoso. Pois é assim; toda vez que estou numa loja de roupas, desesperada e impacientemente escolhendo algum modelito que me sirva, o vendedor interpela-me com uma do tipo: "Você é daqui de Maringá, mesmo?". Ora, o que isso quer dizer? De onde será que pareço proceder? Estrangeiro? Provavelmente não. Curitibano, paulistano, brasiliense, carioca? Oxalá que sim! Mas... provinciano? De vila? Já me chamaram de católico, vendedor de CD pirata e até de estudante de educação física. Mas de provinciano seria uma ofensa de trancar-me no banheiro (na verdade eu me trancaria no quarto; prefiro o conforto da cama do que o duro assento do vaso). Mas a questão é: por que enredo de samba não aparento ser maringaense (pois de fato não sou)? Não ando por aí com mala. Humpf! Sinto ímpetos de desprezar essa cidade de gente com cara de barro. Mas vamos lá, vamos tentar não compreender a situação (:D). Pena que me peguem sempre de surpresa, e eu, no susto, respondo: "Sou". Na próxima vez eu lhe perguntarei de onde ele acha que saiu este objeto. Então, esperarei tenso ou ansioso pela resposta. Seja o que vier, assumirei de bom grado a nova roupagem. Quem sabe até role uma devolução. Ou não, vai que de repente... Afinal, quem não deseja ser uma espécie exótica da Amazônia? Eu que não.